segunda-feira, 3 de abril de 2017

"POV"

Algumas coisas são tão triviais quando postas em perspectiva. O que é um palavrão gritado no silêncio da sala da 5ª série? O que é uma discussão perdida por falta de argumentos perto da grandeza das coisas?
Em todo lugar tem alguém sofrendo de males maiores, mais urgentes. Mas por que nossa tempestade é sempre mais intensa, paralisante?
O que é não poder usar tênis no trabalho em vista da dor do abandono ou da guerra?
Não sei aonde quero chegar com isso, mas também como poderia, se nem sequer sei o que é ter objetivo?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Daquela sigla que você conhece bem...

Você poderia dizer que se trata apenas do desejo pelo que não posso ter, mas e se não for só isso?

É engraçado tentar escrever sobre esse desejo peculiar, às vezes sinto que todos os meus são deste tipo. O que me conforta é saber que não estou sozinha em minha peculiaridade, mas onde estão as outras? Talvez estejam se questionando agora mesmo ou, quem sabe, já tenham todas as respostas...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

You want to fall apart
You won't

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Damn your hollywood scritps that embellish depression
There's nothing elegant about feeling like a waste of space
in the end the only atractive mistery is the one in your pants
Sorry if i'm being too honest, but it's better if we just cut the crap
Not caring about anyone but yourself doesn't make you cooler,
doesn't make people crawl over you
just makes you a lonely bitch.

quarta-feira, 2 de março de 2016

"Acorde-me Quando o Mundo Acabar"

Sophie acordou com algumas horas de antecedência, espreguiçou-se languidamente e com um movimento preguiçoso calçou os chinelos. Como quem não quer sair da cama, ainda sentada, tentou pegar o vestido no cabideiro quase se deitando novamente no esforço de alcançá-lo. Puxou-o para si e vestiu-se membro a membro.

Em pé se pôs a olhar os cabelos pensando no que iria fazer para arrumá-los, minutos inteiros se passam até que ela resolva deixá-los como estão.

O que fazer agora? Tomar café? Escovar os dentes? E assim Sophie leva uma hora até que esteja completamente vestida e pronta para mais um dia.

Após procurar a chave que sempre se perde na bolsa, abre a porta e encara o mundo que lhe aguarda. Lá fora zumbis mordiscam seus pés e navios piratas ancoram no porto.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

"Ansiedade"

Sentia como se seu estômago fosse se desfazer numa confusão de arrependimento e duvida. Não havia nada a ser feito e agora era só esperar o inevitável.
A dor da vergonha que estampa seu rosto, queimando a pele como fogo em brasa. Olhares que se desviam em escárnio para encontrar a simpatia do colega ao lado.
Nada é bom o suficiente e fica ainda pior quando isso se prova verdade. Como dizer que está sendo exagerada se nada lhe prova o contrário?
O coração vai à garganta e lá fica para uma pausa dramática, infla-se fazendo com que o peso curve suas costas.
 Enfim ela o vomita, e tudo que foi com ele, exposto. As costas permanecerão curvadas mais algumas horas, para se desdobrar em alívio no fim de semana que se aproxima.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Cidadão Anônimo "

Li e concordo em ser vigiada. Conspiro com compras, livros e trabalhos escolares. Sou acusada de olhar as notícias.
Uma conversa particular e aquele site da China tomou conta das minhas redes. O livro que pesquisei ontem é a estrela da minha tela, protagonizando cada página e o que achei que fosse anônimo está apenas abaixo da superfície.
Um botão, um link e minha vida está agora na vitrine, gratuitamente, para o olhar de todos. Minha voz constitui um banco de dados, minha localização está garantida. Agora só preciso chatear a CIA.
 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

"Mais uma xícara"

Ela acreditava que até uma cadeira poderia ser descrita com mais emoção. K não conseguia aceitar o rumo que sua vida tinha tomado. Um dia após o outro, cheio de nadas e não há melhor maneira de escrever sobre isso.
Parece fácil olhar para essas páginas e depositar aqui toda a angústia que isso lhe causava.
Todos os porquês lhe escapavam das mãos, mas K sabia que era sua responsabilidade fazer algo por si mesma. Enquanto olhava para o dia claro através de persianas meio fechadas, ela decidiu que tomaria um banho, se arrumaria e finalmente ""seria a mudança que queria ver em sua vida"". Ela pensou em todos esses clichês e citações de filósofos e líderes espirituais enquanto prendia o cabelo preto em um coque no topo da cabeça. Sabia que depois daquela porta encontraria toda a sua ansiedade, como uma criança na sala de espera do dentista.
A coragem que a preenchia se esvaia conforme as horas passavam arrastadas e decisivas. K chegara ao escritório no horário de sempre, colocou sua bolsa na cadeira, como sempre, tirou seu cardigã e o pendurou atrás da porta mais uma vez. Seu chefe estava a poucos metros de distância e ela sabia que poderia falar com ele se quisesse. Em vez disso desceu as escadas e entrou no banheiro escuro. Dez minutos e muitas suspeitas de intoxicação alimentar depois, K se viu no corredor novamente, a porta cinza a encarava, uma atmosfera ameaçadora.

Mais cedo ou mais tarde, ela sabia, deveria fazê-lo, mas como sempre, escolheu mais tarde.